O mundo de Palavras: As Crianças

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Saudações
José Pina

25/02/2013

As Crianças


Prosa

Não me vou apresentar.
O tratamento que me dão é pior do que odiar, é simplesmente passar e não olhar.
Porquê? Porque passei 10 anos de vida a tentar ser igual a quem come à mesa com a família e, mais importante que isso, ter dinheiro para curar as minhas perdas.
Mesmo assim fui feliz: a viver numa lixeira com restos, restos de quem não me quis dar a mão e deu só um dedo para me segurar.
Eu cresci acreditem, é facto. Sou tão alto, que me conseguem ver no céu a passear com as nuvens.
E tão baixo, que fiquei reduzido a cinzas espalhadas por Luanda. Não é o que estão a pensar, eu sou mesmo negro e o meu último porto de abrigo foi o chão.
Ainda me lembro do meu nome, penso que era ou é Rami.
Disseram-me que nasci a meio da guerra civil e a minha mãe foi baleada no peito mal dei os primeiros passos.
Os meus brinquedos foram ferramentas de escravatura e nos intervalos, ia com a minha irmandade de rua jogar à bola com uma improvisação de malha. Não se iludam com barrigas e cordões umbilicais.
Todos vocês, tal como eu, são feitos de lava que ferve nas vossas veias.
Mas aquilo que aprendi, é que essa lava também vos congela.

Olá Rami, o meu nome é Carlos.
O que te posso dizer, é que ao contrário de ti não nasci em plena guerra, se bem que o meu percurso foi parecido ao teu.
Nasci a 10 de Abril de 1991, um bom ano para se ser uma criança, tudo era bonito, havia dinheiro e condições para ser educado.
Cresci e descobri alguns significados de palavras que para mim não faziam parte do meu dia a dia, "crise,recessão,poupança,dividas".
Todas estas palavras nasceram nos últimos anos no meu dia a dia, sabes quando era criança várias vezes me deparei com campanhas de apoio a crianças como tu, que tiveram azar desde a nascença.
Apesar de nunca ter conhecido nenhuma na tua situação enquanto pude sempre tentei ajudar nessas  campanhas, hoje a ironia do destino virou o barco e por cá temos também crianças na pobreza.
É diferente Rami, eu sei que sim, mas muitas das nossas crianças sofrem em silêncio por cá, infelizmente a vergonha faz também parte do dia a dia delas.
Os meus brinquedos eram vários, desde a bola ao já mais recente computador, até aos jogos de crianças tais como o quarto escuro e a apanhada.
Aquilo que aprendi nestes anos, é que o barco pode virar mesmo sem haver ondas, por isso convém sempre sabermos nadar.
Um sincero abraço de Portugal

Poesia

De Olho arregalado,
pergunta com persistência.
Porque o céu é azulado,
Como pôde vir à existência?
Com um sorriso envergonhado,
procura pela sua referência.

Horas e horas sem parar,
O mundo volta a fazer sentido.
Quando encontra a segurança num simples abraço,
que de afecto e amor desmedido.
na duração daquele pequeno compasso,
torna as palavras irrelevantes para explicar.

A doçura de sua ingenuidade,
encanta qualquer ser.
que com toda a sensibilidade,
procura vir a ter.
tal tesouro de valor inestimável,
e tão simples de manter.

São meninos neste mundo,
são os anjos deste perjúrio.
Prejudicados sem a consciência,
que lhes roubam o futuro e não lhes deixam esperança.

São eles quem com a sua inocência,
conquistam corações com a sua independência.
Eles são os anjos deste mundo,
que infelizmente os maltrata tão a fundo.

Os anjos deste mundo com um futuro penhorado,
numa história repetida a um ritmo diário.
Eles são seres secundários neste mundo totalmente primário,
e mesmo assim não desistem de lutar pelo seu futuro com a força do seu próprio horário.

José Pina, Paulo Alexandre Henriques e André Oliveira.
Tema "Crianças"
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